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Novas ciências e tecnologias serão aplicadas à produção do mel de abelha Imprimir E-mail
Notícias - Arranjo Produtivo
Escrito por Alagoas em Tempo Real - AL   
Ter, 13 de Outubro de 2009 06:58

Dentre as diversas tecnologias vistas nos paineis do evento, a coordenadora pretende reaplicar o estudo apibotânico
Da Redação

A versatilidade do mel chama a atenção da diretora de Políticas de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Secti), Lenilda Austrilino. Durante uma semana, ela participou do 41º Congresso Internacional de Apicultura, em Paris, e retornou a Alagoas com amplo planejamento de ações voltadas para a cultura do mel. A profissionalização do segmento eliminou o comércio feito por atravessadores e os produtos, sobretudo a própolis vermelha conquistam novos mercados, inclusive internacional.

Dentre as diversas tecnologias vistas nos paineis do evento, a coordenadora pretende reaplicar o estudo apibotânico. Esse método é responsável por identificar as peculiaridades e os principais componentes das abelhas de cada região. Para isso, ela já selecionou um grupo gestor exclusivo a fim de analisar a identidade geográfica das abelhas do Litoral e do Sertão.

“Nossa intenção é saber identificar quando uma abelha é de Alagoas ou não. Essa reaplicação nos possibilitará a avançar ainda mais nos nossos estudos com o mel e a abelha”, ressalta Lenilda Austrilino. De acordo com ela, o outro aspecto de relevância para ser implantado nos projetos de ciência na apicultura é aprender a destacar o comportamento, aprendizado e saber como está a saúde das abelhas.

Além da rica produção de mel no Sertão de Alagoas, a Secti pretende cultivar e extrair das abelhas do Litoral Sul e Norte a própolis vermelha, originária da planta rabo de bugio, encontrada nos manguezais litorâneos. Apostando no crescimento dessa produção e a fim de agregar valor aos novos produtos, o Banco do Nordeste (BNB) e o governo de Alagoas vão investir R$ 700 mil em estudos para a execução de projetos na linha de cosmésticos e fitoterápicos .

Segundo a coordenadora Lenilda Austrilino, a ideia é promover o incentivo à fabricação de shampoos, pomadas para queimaduras e sabonetes artesanais, entre outros cosmésticos, criados a partir da própolis vermelha. “Esse é um setor bastante promissor e queremos torná-lo autossustentável. Assim como o mel está andando com suas próprias pernas, vamos tentar fazer o mesmo com a própolis”, frisa.

Um dos primeiros passos para essa produção artesanal dos provinientes da própolis já foi dado. Segundo ela, a Secti vai elaborar estudos ligados ao processo de fabricação de cosmésticos e produtos fitoterápicos, por meio de uma incubadora piloto no Estado. Após a criação do processo, os estudiosos selecionados farão análise para saber se é possível realizar uma boa escala industrial da própolis vermelha para a comercialização de seus derivados.

Por meio do Arranjo Produtivo Local (APL) da Apicultura, a atividade apícola já é destaque no Sertão de Alagoas. Produtores de mel no município de Pão de Açúcar já sobrevivem do próprio cultivo. Eles são responsáveis pelo envase do mel em sachês e a sua venda em mercadinhos e escolas da cidade. Juntos, estes produtores estão diretamente ligados ao setor econômico do Estado.

“Estudamos, analisamos e depois passamos nossas técnicas para os produtores interessados. Acredito que assim como a cana-de-açucar sobrevive em Alagoas, o mel tem tudo para ser mais um produto de potencial e de grande referência dentro e fora do Estado”, conclui a coordenadora.

De Alagoas para países asiáticos

Nos últimos dois anos, o segmento do mel conseguiu eliminar a comercialização feita por meio de atravessadores. Com a certificação do Serviço de Inspeção Federal (SIF), a negociação do produto se tornou livre no Brasil. Com o investimento na própolis vermelha no litoral de Alagoas, a produção de mel praticamente dobrou. Enquanto em 2006 a Cooperativa de Mel (Coopmel) do Estado fazia uma colheita de 60 toneladas de mel, hoje, eles apuram mais de 140.
Neno Canuto

César Ramos fala que interesse asiático no produto exige alta qualidade

Um dos maiores avanços da matéria-prima apícola é a valorização do produto, proporcionando a ele um valor justo e rentável. Segundo o presidente da Coopmel, Reginaldo Lira, um quilo da própolis vermelha extraída pela abelha custa R$ 550. “Cerca de 80 produtores do litoral norte sobrevivem deste produto. Isso já é um grande avanço econômico para a nossa região, que é coberta por mangues”, frisa.

Esse não é o único mérito da própolis vermelha. A produção é crescente e tem despertado o interesse de empresários de fora de Alagoas, a exemplo da empresa mineira Natucentro Própolis. A planta de origem leguminosa é rica em flavonoides e sua resina, sugada pela abelha, ajuda no controle hormonal do corpo feminino, além de combater o envelhecimento precoce e de ser anticancerígena.

Responsável pela qualidade da própolis, a difusão de novas tecnologias de produção e beneficiamento despertou a curiosidade do proprietário da Natucentro, César Ramos, em ver de perto essa matéria-prima alagoana. Em parceria com a empresa japonesa API Company, César exporta a nossa riqueza para países asiáticos. Atualmente, a negociação é diretamente com o Japão, mas sua pretensão é chegar à China em poucos meses.

“O Japão valoriza a própolis vermelha, assim como o brasileiro valoriza o perfume francês. Lá a API Company fabrica cápsulas gelatinosas, bebidas enriquecidas em vitamina e sprays, tudo a preço de luxo”, frisa o mineiro César Ramos. Segundo ele, a venda de um vridro com 90 cápsulas gelatinosas da própolis custa de U$ 90 a U$ 100 para o consumidor comum.

Diferente dos produtos de subsistência, a própolis vermelha é supervalorizada nos países asiáticos. Com esse mercado externo em alta, o empresário afirma que um bom profissional que trabalha de dentro das fábricas de produtos da própolis vermelha no Japão, ganha em média, U$ 3.600 ao mês. “Vamos tentar levar a matéria-prima alagoana de atividade sustentável chegar com forte impacto também na Europa”, estima César Ramos.